Claudio Ferreira Costa: INTRODUÇÃO HISTÓRICA À FILOSOFIA
INTRODUÇÃO HISTÓRICA
À FILOSOFIA
DRAFT DE UM LIVRO
CONTEÚDO
Prefácio
I.
Entre a mitologia e a ciência: os pré-socráticos
II.
O idealismo platônico
III. A metafísica aristotélica
IV. Filosofia em tempos difíceis: helenismo
e Idade Média
V.
A revolução cartesiana
VI. Spinoza: naturalismo panteísta
VII. Leibniz: o mundo fantástico mônadas
VIII.
Origens do empirismo inglês
IX. Locke: construtivismo
empirista
X.
Berkeley: imaterialismo
XI. Hume: ceticismo radical
XII. Kant: idealismo transcendental
XIII.
O idealismo alemão
XIV.
Hegel: espiritualismo dialético
XV. Marx: materialismo dialético
XVI.
Nietzsche: crítica da cultura
XVII.
Wittgenstein: os limites do sentido
XVIII. O que veio depois
XIX.
Donald Williams: ontologia dos tropos
XX. A filosofia na jaula de ferro
PREFÁCIO
A ideia que norteou esse livro foi a de fazer uma exposição crítica de alguns
momentos mais fundamentais da história da filosofia ocidental em sua relação
com tópicos da filosofia, da ciência e da cultura contemporâneas.
Uma pessoa só pode saber o quão
extraordinária a filosofia é capaz de ser no caso de já ter conhecido e
colocado sob perspectiva o pensamento dos grandes filósofos civilização
ocidental. Mal comparando, uma pessoa só é capaz de saber o quão maravilhosa a
música é capaz de ser no caso de já ter apreciado o melhor daquilo que os grandes
compositores do passado fizeram.
Os filósofos clássicos, de Heráclito
a Wittgenstein, colocaram para si mesmos problemas imensuráveis e tentaram
solucioná-los. A razão de sua atualidade se encontra no fato de que até agora suas
sugestões não foram suficientemente resolvidas, nem os problemas por eles
deixados. Diante desse panorama o filósofo inglês Colin McGuinn sugeriu a
hipótese do fechamento epistêmico (epistemic closure). Para ele a
mente humana simplesmente não é capaz de resolver os grandes problemas colocados
pela tradição filosófica. Diante deles somos como chimpanzés tentando criar a
teoria da relatividade: jamais conseguiremos! Melhor então nos dedicarmos a
problemas menores – aqueles que cabem em nossas mentes.
A resposta de McGuinn sempre me
pareceu derrotista. A resposta mais cabível seria wittgensteiniana: se somos
capazes de colocar um problema de modo significativo é porque somos, ao menos
em princípio, capazes de resolvê-lo. Chimpanzés não são capazes de desenvolver
a teoria da relatividade. Mas eles também não são capazes de se perguntar, como
fez Einstein, o que aconteceria se viajássemos à velocidade da luz ou se a
gravidade fosse equivalente à aceleração.
A verdade pode estar em
qualquer lugar. Somos hoje capazes de encontrar substitutivos mais específicos
e precisos para muito do que os clássicos disseram. Mas muito do que eles
disseram tem maior amplitude do que esses substitutivos e não pode ser tão
facilmente resgatado. Além disso, muito do que eles disseram é mal compreendido
precisamente onde eles teriam sido capazes de nos corrigir e mostrar a direção.
Isso faz com que o problema seja muitas vezes o de descobrir, como notou
Russell, quais pontes preservar e quais pontes queimar.
Finalmente e de maneira quase
inopinada, esse livro também acabou por possuir elementos de uma exploração
comparativa de ideias filosóficas. Essa exploração visa preencher alguma coisa
da imensa lacuna produzida na filosofia atual, que se constitui na falta de
investigações mais abrangentes, cujas causas espero ter apresentado no último
capítulo.
(a completar...)
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